domingo, 30 de maio de 2010

Como tudo começou

Dia 22 de março deste ano sofri um pequeno acidente de moto, que me obrigou a ficar em casa durante dois meses. Tive que trancar a matrícula na faculdade de Medicina Veterinária e ficar afastada do trabalho. Como não podia fazer muita coisa, comecei a pesquisar assuntos que me interessam, na internet. Uma coisa que me coloca em conflito e me amedronta em relação à minha futura profissão é a eutanásia.  Determinadas situações me aterrorizam, só de imaginá-las. Portanto, resolvi entrar no blog do Dr. Marcel Benedeti, médico veterinário espiritualista e escritor, para perguntar-lhe o que ele pensa a respeito.  Descobri, então, que ele havia desencarnado no dia 01/02/10, devido a um  câncer no fígado. Fiquei triste, mas ao mesmo tempo tranquila porque sei que agora ela está bem e com certeza continua cuidando dos animais, em outros níveis.  Não encontrei nada sobre eutanásia em relação à espiritualidade. Continuei pesquisando e entrei depois em sites de animais x espiritualidade, em sites kardecistas, em sites que falam sobre os mestres ascencionados e, em um deles, li sobre Kuthuli, que é o espírito que animou o corpo físico de Francisco de Assis outrora.  Neste site mencionava-se o livro “Um curso em milagres”, que diz-se ter sido ditado por Jesus a uma psicóloga. Fiz o download desse livro e comecei a lê-lo. O livro diz o básico: “Ame ao teu próximo”.  Coisa difícil para mim, que acabara, aliás, de colocar no meu orkut duas novas comunidades; as duas com o mesmo nome: “Gosto mais de bicho que de gente”.
O livro dizia que, para “acordarmos” do sono em que estamos mergulhados, é necessário seguir alguns passos, como por exemplo, dissolver o ego. Como até então eu só havia me decepcionado com o meu ego, que eu achava que era eu mesma e hoje, graças a Deus eu sei que não é exatamente assim, eu topei seguir os passos do livro porque queria “acordar” para o mundo real.
Eu achava absolutamente impossível amar um homem que entra em uma arena e tortura lentamente um animal inocente até sua triste morte. Mas Jesus (ou Cristo ou Samana ou Sananda... até hoje eu não entendo direito...) diz que todos são “o próximo”. Sendo assim, o toureiro também é meu próximo. Como fazer para amá-lo?! Decidi então que, como eu não conseguiria amá-lo  em meu atual grau de evolução, eu poderia tentar, pelo menos, não desejar que ele morra de uma doença torturante, que o mate lentamente. Decidi não sentir mais raiva dos toureiros nem das outras pessoas que maltratam os animais, pois a minha raiva não traria benefício nenhum ao animal em questão e ainda atrairia coisas negativas para minha vida, que já não era nem um pouco interessante.
Meu Deus! Como gostar das pessoas? Eu tinha pavor de estar em um local cheio de gente. Tinha vontade de sair correndo.  Já tivera vários episódios de síndrome do pânico. O livro dizia que somos todos irmãos. Isso eu sabia teoricamente, porém, nunca tinha tentado vivenciar isso.  Como eu realmente estava disposta a desaparecer com o meu ego e, para isso eu teria que “amar meus irmãos”, eu comecei a tentar o seguinte: como um mantra, eu comecei a repetir mentalmente, o tempo todo, “somos todos irmãos”. Quando saía de casa e via uma pessoa vindo em minha direção, eu mentalizava: “ é meu irmão... é minha irmã... são meus irmãos... ele (a) também é filho (a) de Deus... ele (a) tem Deus dentro dele (a)”, etc...
Depois de um tempo lendo este livro, passei a discordar de alguns pontos. Não consegui continuar lendo, mas o mais importante que eu pude aprender e utilizar, foi não ter medo das pessoas e não sentir raiva delas. Continuei procurando algo na internet a respeito de eutanásia à luz da espiritualidade. Acabei entrando no site do Trigueirinho. Cliquei em todos os links em que ele falava a respeito de animais. Depois nos links em que ele falava dos centros intraterrenos. Depois nos links em que ele falava da alma, da evolução, da constituição do homem, do universo, etc, etc, etc...
Decidi que era hora de começar a evoluir. Me vi tendo duas opções: a primeira era continuar minha vida como sempre foi, sem saber o que eu estou fazendo aqui, porque, como, quando, que horas que eu posso parar de brincar de ser a Patrícia, enfim... continuar com minha vida chata, sem graça, sem sentido, em um mundo em que Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, largou seres inocentes à mercê de monstros humanos que os torturam, os assassinam, os comem e praticam com eles tantas outras crueldades. A segunda opção era tentar descobrir os porquês. Para isso eu teria que evoluir. Para mim, não fazia muita diferença largar minhas crenças passadas, meu ego, minha história ridícula, enfim, porque eu nunca gostei de estar encarnada aqui no planeta e nunca entendi quem havia dado o direito a alguém de me colocar aqui sem a minha permissão e ainda por cima só me dar duas opções: viver mergulhada em um mundo de ilusões, como em Matrix, ou evoluir para onde eu nem sei exatamente. Algo nessa evolução me assusta, como por exemplo, saber que depois de muito evoluir o ser vai sendo cada vez mais absorvido no cosmos e deixando de ser um indivíduo para ser uma “consciência grupal”. Eu entendo isso como deixar de existir. Com certeza eu devo estar errada, afinal, estou começando a estudar agora sobre isso. Outra coisa que me assusta é a “vida inanimada” que o ser evoluído atinge. Fico imaginando em minhas fantasias ignorantes, que depois de muito sofrer para evoluir, o indivíduo finalmente vai ficar sem poder se mexer. Inanimado. Talvez minha vida não seja tão sem graça assim. Sinto que meu eu interno grita nesses momentos para que eu não entenda as coisas desse jeito. Mas eu ainda não sei o que isso significa.
Em todo caso, faz menos de quatro semanas que eu comecei a ouvir as partilhas de Trigueirinho. Tenho tentado colocar em prática o que ele diz. Tento me lembrar o tempo todo do auto esquecimento. Fico em dúvida se devo ou não fazer as unhas. Será que posso cuidar da minha aparência e praticar o auto esquecimento ao mesmo tempo? Eu tenho um emprego e não posso ter má aparência. E aí? Como ficam esses detalhes práticos?
Descobri finalmente que todos os corpos precisam evoluir. Sendo assim, não adianta eu querer ser uma pessoa melhor, evoluir espiritualmente, e continuar fumando. Parei então de fumar no dia 18/05 quando acabou minha caixinha de marlboro.
O cigarro era como um amigo, um companheiro que nunca me abandonava. Estava comigo em qualquer momento, por pior que fosse e sempre me acalmava. Sinto como se eu tivesse perdido um grande amigo. É realmente como se um amigo querido tivesse morrido. Agora, mais do que nunca, eu estou me sentindo sozinha.
Domingo passado eu fui pela primeira vez ao grupo de estudos. Me senti meio deslocada no início, mas depois que eu descobri que tanto a coordenadora do grupo como uma das participantes, cuidam de animais e os amam muito, me senti em casa. Falaram que a Dra. Sheila Waligora fala sobre eutanásia à luz da espiritualidade. Já baixei uma palestra dela e comprarei seu livro assim que possível. Ela é médica veterinária e conversa telepaticamente com os animais. Tem muito a nos ensinar sobre eles.
Quando cheguei, mencionei à coordenadora do curso minhas dúvidas a respeito de como falar com o eu interior e se eu superior era a mesma coisa. Ela disse que eram sim a mesma coisa e era através do silêncio e de tentativas constantes de contatar meu próprio eu é que eu conseguiria. “Coincidentemente” o cd do Trigueirinho que nós ouvimos foi sobre o silêncio para contatar o eu interno. Voltei para casa com o livro Glossário Esotérico. Li todos os dias. Aprendi muitas coisas interessantes, mas hoje, ao chegar ao grupo, Maria Luíza, a coordenadora, me indicou um livro que ela encontrou e se lembrou de mim: Encontro Interno. Deixei lá o Glossário Esotérico, que pegarei novamente e voltei para casa com este novo livro. Para mim, é um grande presente da vida, o acesso a esses livros tão importantes.
Sei que vou ler todos os livros de Trigueirinho. Sei que continuarei indo às reuniões. Sei que visitarei Figueira um dia. Sei que vou aprender muito. Sei que vou ter que aprender a me livrar dos meus companheiros inseparáveis: medo, angústia, depressão, solidão e essa saudade que tortura a minha alma dia a dia. Eu não sei de quem eu sinto saudade. Só sei que é uma saudade que dói profundamente em minha alma. Esse sentimento traz-me uma tristeza gelada que abre um buraco no meu peito através do qual minha energia se esvai para alguma outra dimensão. Não sei o que é alegria. Às vezes fico contente quando brinco com animais. Mas não é possível brincar com eles o tempo todo e às vezes nem eles conseguem afastar minha depressão.  Segundo Trigueirinho nós não precisamos ter alguém conosco. Basta o eu superior. Mas meu eu superior ainda não consegue me fazer companhia. Aliás, meu eu superior sou eu. Como eu posso fazer companhia a mim mesma? Isso é que é solidão... puxa vida!... Embora eu saiba que devo estar muito errada, ficam aqui minhas impressões desse meu começo de evolução. Talvez isso possa ajudar outras pessoas que também queiram começar a trilhar esse caminho desconhecido e servir para me fazer rir quando eu já estiver entendendo melhor as coisas do universo e ler essas coisas.
Hoje eu descobri que estamos sendo perdoados por nossos erros. Isso é bom. Temos tantos...

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